MVNOs captam 2,8% dos clientes e 1,6% das receitas móveis em Portugal

9-06-2021

A Anacom defende que a baixa relevância dos operadores móveis virtuais em Portugal (MVNO) pode “sugerir uma reduzida apetência por parte dos operadores” em abrirem acesso às suas redes.

Portugal é o 10º país da União Europeia na utilização de serviços prestados por operadores móveis virtuais, revela a Anacom. Apenas 2,8% dos acessos móveis são geridos por estas empresas (que absorveram em 2020, 1,6% das receitas de serviços), que disponibilizam serviços móveis através das redes de outros operadores.

Em comunicado, a Anacom sugere que a “muito reduzida entrada no mercado com base neste tipo de soluções, poderá sugerir uma reduzida apetência, por parte dos operadores de rede (MNO), em permitir o acesso às suas redes”.

O regulador também nota que em quatro países da UE, o peso dos MVNOs no contexto dos acessos móveis é superior a 10%, com destaque para os Países Baixos, onde no final do ano passado os MVNOs representavam quase um quarto do total dos acessos móveis.

Em Portugal existiam no final de abril sete operadores móveis, três dos quais com serviços ativos: Lycamobile, Nowo e Onitelecom. Destes três, a Nowo é o operador que tem conseguido melhor performance, com maior número de clientes e crescimento mais acentuado. Com licenças emitidas, mas com atividade por iniciar, estão a G9 Telecom, Evomédia e Sumamovil.

No final do ano passado, os MVNOs geriram 688 milhões de minutos de comunicações de voz, num crescimento de 28,7%, face ao ano anterior. Neste universo, 49 milhões de minutos diziam respeito a chamadas internacionais, um indicador que caiu 6,8% face a 2019.

Nos dados, os MVNOs gerem apenas 0,5% do tráfego, o que ao longo de 2020 correspondeu a 2 mil TB. Note-se que o tráfego médio mensal por acesso de Internet dos MVNO é de 1 GB e nos operadores de rede 4,8 GB, como também nota a Anacom.

A receita média mensal dos MVNOs em Portugal foi de 11,6 euros em 2020. A dos operadores de rede fixou-se nos 20,9 euros.

Para já, o enquadramento regulatório admite a existência de MVNOs, mas remete a aceitação de acordos e a negociação de condições para os operadores de rede. No 5G não será assim. Um entre muitos pontos de discórdia entre Anacom e operadores de rede sobre o modelo português para a 5ª geração móvel, está precisamente na imposição feita aos operadores com licenças, de negociarem a abertura das suas redes aos MVNOs.
(Teksapo)

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