Sandra Baldé: “A indignação precisa de sair dos ecrãs e dos teclados para as ruas, rodas de conversa, instituições.”

8-05-2021

Este artigo teve o apoio da The Body Shop Portugal. A marca desafiou o Shifter a fazer parte do Movimento Self-Love, a olhar para o seu estudo The Body Shop Global Self Love Index e a dar espaço a este tema tão importante.

As redes sociais podem ter muitos defeitos e consequências para a nossa saúde mental mas, do outro lado do espectro, continuam a alimentar a promessa que as fez crescer tanto, permitindo um reequilíbrio das vozes que se fazem ouvir. E, se em muitos casos, há quem se faça ouvir com pouco para dizer, noutros essa plataforma é uma forma de reclamar amor próprio e auto-estima, para si e para os seus, como é o caso de Sandra Baldé, uma das embaixadoras da campanha Movimento Self-Love da The Body Shop Portugal e uma das convidadas do podcast da marca, dedicado à campanha.

Nas últimas publicações que fez na sua página, @umafricana, no Instagram, Sandra refletiu sobre temas tão sensíveis como o “black trauma no entretenimento”, o privilégio branco em casos mediáticos da justiça portuguesa com desfechos dependentes da etnianuma alusão ao caso de Deison Camará -, o que é ser “pro-black” e o mito de que opera da mesma forma que a supremacia branca, com violência, o colorismo como uma ferida causada pelo colonialismo, e o “salário emocional” que recebe quando lhe chegam mensagens “de encher o coração” de meninas negras, com o seu tom de pele, que “ainda estão a aprender a gostar delas mesmas” e que lhe agradecem o empurrão nesse percurso.

Descreve-se como uma mente inquieta e o seu trabalho no digital mostra isso mesmo, o questionamento constante do que é normalizado socialmente e o trabalho tão necessário de informar quem precisa de ser esclarecido, por ignorância ou só pela verdade. Nos últimos anos, Sandra Baldé tem-se tornado uma voz ativista cada vez mais sonante, falando abertamente sobre questões raciais, discriminação e representatividade. E se o mundo insiste em tornar o debate sobre os privilégios sociais e a inclusividade cada vez mais urgente, aos 24 anos, Sandra alerta e gera a mudança falando na sua própria experiência. A minha jornada de aceitação foi sem dúvida muito dolorosa e solitária. Mas necessária, porque eu já chegava ao ponto de me ver como minha própria inimiga.”, conta-nos, quando questionada sobre o caminho que fez, desde criança, para criar auto-estima. “A falta de representatividade foi o que mais contribuiu para isso. O meu tipo de cabelo não aparecia nos filmes e séries que eu consumia na altura, o meu tom de pele também não. E isso mexia muito com uma criança como eu, que já se sentia diferente.”

“A falta de representatividade mexe mesmo muito com o psicológico das pessoas, sobretudo com as crianças. Acho que hoje em dia já está melhor, mas acho que ainda é preciso trabalhar muito, ainda estamos muito dentro do estereótipo, daquela necessidade de só termos negros em determinados assuntos, determinados espaços, determinados papéis. As coisas ainda estão a andar muito devagar.”

No segundo episódio do podcast da The Body Shop, dedicado à campanha Movimento Self-Love, onde foi entrevistada sobre auto-estima na comunidade negra, Sandra repetia uma das ideias que mais partilha com os seus seguidores nos seus canais digitais: “Uma das afirmações que fez muito parte da minha vida durante muitos anos foi ‘eu não quero ser negra.’ E isso teve um impacto muito negativo no meu crescimento enquanto menina e mulher negra.” Confessa que, sem referências no entretenimento que tinha disponível na altura, tinha muitas vezes que ser a minha própria referência para não me limitar e deixar de fazer certas coisas. Adoro a Beyoncé desde os 6 anos, e na adolescência a Lupita Nyong’o foi uma inspiração enorme para mim. As meninas de hoje têm muito mais sorte do que eu tive.” A internet trouxe às ‘meninas de hoje’ vozes como a de Sandra que hoje em dia já consegue falar do seu “duro processo de auto-descoberta e auto-conhecimento de um lugar de aprendizagem” mas que, nas suas várias fases, chegou a um ponto “em que já estava acomodada com a facto de não se sentir capaz ou bonita o suficiente”.

“De certa forma, isto estava a limitar-me, eu não conseguia ver um futuro para mim, não me imaginava a fazer coisas incríveis, e acho que isso foi o ponto de viragem.”

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