Personalidade não interfere com saúde

6-09-2006

As pessoas impacientes e irascíveis podem ter problemas de relacionamento com os outros, mas não correm mais risco de sofrer ataques cardíacos, revela um estudo inédito internacional, em que participou um investigador português. Nesta investigação, os cientistas analisaram mais de seis mil pessoas entre os 14 e os 102 anos, estudaram a relação entre a personalidade e as doenças coronárias e concluíram que os calmos não estão mais a salvo de ter um ataque cardíaco do que os que se irritam facilmente, escreve a «Lusa».
Esta conclusão pode parecer surpreendente, na medida em que algumas pessoas sofrem ataques cardíacos quando fazem um esforço físico suplementar ou atravessam uma situação de tensão.
Porém, tal deve-se a problemas coronários já existentes e não ao facto de a pessoa ter uma natureza tranquila ou agitada, revela o estudo publicado na edição deste mês da revista norte-americana «Public Library of Science Genetics».
Assim, a investigação deve deixar mais aliviados os indivíduos com personalidade de «tipo A», caracterizada pela impaciência, competitividade e facilidade para o aborrecimento.

Após uma análise exaustiva da saúde e do comportamento de 6.148 pessoas, os investigadores concluíram que as pessoas às quais incham as veias e ferve o sangue quando estão presas nas filas de trânsito, quando a sua equipa de futebol perde ou quando são contrariadas não correm mais risco do que os calmos de ter uma paragem cardíaca.
«Uma pessoa que se chateia mais frequentemente não tem maior probabilidade de sofrer um ataque de coração», resume o investigador português Gonçalo Abecasis, professor da Universidade de Michigan, que participou na elaboração do estudo.

Os cientistas descobriram que os genes que exercem influência sobre o comportamento são diferentes do que afectam as funções cardiovasculares, pelo que não existe um vínculo biológico entre ambos.
Esta conclusão contradiz alguns estudos anteriores, sobretudo um realizado nos anos 50, que define o tipo de personalidade A e lança a hipótese de que essa classe de pessoas tem mais probabilidades de sofrer um ataque de coração.

( Fonte: ciberia )

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