Ciência: Aquecimento global súbito dispersou antigos primatas - estudo

29-07-2006

Um aquecimento global súbito e curto da Terra provocou a dispersão dos símios primitivos há 55 milhões de anos, segundo um estudo que sugere uma nova teoria sobre a migração dos antepassados dos primatas.

Esses símios, do género Teilhardina (o primata mais antigo conhecido na Ásia e na Europa), migraram do sul da Ásia para a Europa e dispersaram-se depois pela América do Norte através da Gronelândia, saltando de árvore em árvore, de acordo com o estudo, publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

O Teilhardina, um antepassado comum dos macacos e dos seres humanos, era um pequeno predador diurno semelhante a um társio, do tamanho da palma de uma mão humana, munido de grandes olhos que lhe serviam para orientação.

Para determinar o momento em que o Teilhardina apareceu nos três continentes, uma equipa internacional de paleontólogos procedeu a datações baseadas na análise da curva de isótopos do carbono registada nos três continentes.

A investigação fê-los chegar a um período de saturação de carbono 12 associado ao começo do chamado Máximo Térmico do Paleoceno- Eoceno, um dos aquecimentos globais mais rápidos e extremos registados na história geológica do planeta.

Foi durante esse fenómeno, há 55,5 milhões de anos, que surgiram pela primeira vez os primatas modernos.

A quantidade de carbono e as temperaturas da atmosfera dispararam nesse período, e cresceram densas florestas em zonas actualmente geladas do Canadá, Gronelândia e Escandinávia. Segundo a nova teoria, o Teilhardina apareceu na Ásia antes do carbono 12 atingir o seu nível máximo, na Europa coincidiu com esse período e à América do Norte chegou logo após o Máximo Térmico.

Esta conclusão não encaixa em nenhuma das quatro hipóteses existentes sobre a origem e expansão dos primatas. Três delas apontam para o seu aparecimento em África ou na América do Norte e a outra diz que a sua migração foi paralela da Ásia para a Europa e para a América do Norte.

A dispersão desses primeiros primatas ocorreu em apenas 25.000 anos, um período bastante curto em temos geológicos que surpreendeu os autores do estudo.

“É extraordinário poder estudar com tanta precisão eventos evolutivos radicados tão profundamente no passado”, afirmou Philip Gingerich, professor de Paleontologia e director do Museu de Paleontologia da Universidade de Michigan.

“A velocidade da dispersão e da mudança evolutiva é próxima das mais altas que se registaram. Essas alterações e deslocações rápidas foram com toda a segurança gerados pelo aquecimento provocado pelo efeito de estufa na era do Paleoceno-Eoceno”, acrescentou.

Além deste cientista, participaram no estudo investigadores do Instituto Real de Ciências Naturais da Bélgica e da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (Maryland).

( Lusa )

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