Ratinhos quebram leis da genética ao herdar efeitos de gene mutante

26-05-2006

Ratinhos de laboratório desafiaram as leis da genética ao herdar os efeitos de um gene mutante sem herdarem o próprio gene, indica um estudo hoje publicado pela revista Science.
A descoberta do fenómeno, atribuído à acção do ácido ribonucleico (RNA), poderá um dia ajudar os cientistas a compreender aspectos da diabetes, da infertilidade e outros problemas.

A investigação centrou-se num gene chamado “kit”, que se apresenta em duas variedades: “normal” e “mutante”.

Os ratinhos herdam dois genes, um de cada progenitor, sendo a versão mutante a que faz com que apareça uma mancha branca na extremidade da cauda.

Segundo as leis genéticas enunciadas no século XIX por Gregor Mendel, a combinação de genes normais e mutantes herdados pelos ratinhos deveria determinar se a cauda dos animais têm ou não a mancha branca na cauda.

Os autores da experiência, cientistas do Instituto Francês de Investigações Médicas (Inserm) e da Universidade de Nice-Sophia Antipolis, utilizaram ratinhos com uma versão normal do gene kit e outra mutante.

Ao criarem os ratinhos juntos, observaram nos descendentes toda uma série de combinações: dois genes mutantes (estes morreram pouco depois de nascer), um gene mutante e outro normal (que em teoria deveriam ter a cauda com a ponta branca como os pais) e dois genes normais (que supostamente nasceriam sem a mancha branca na cauda).

Para sua surpresa, os cientistas constataram que os ratinhos nascidos com duas versões normais do kit tinham também a ponta da cauda branca.

Depois de estudar o fenómeno, a equipa, dirigida pela professora Minoo Rassoulzadegan, da Universidade de Nice, avançou a hipótese de que poderia dever-se à transferência de moléculas de RNA.

O ácido ribonucleico desempenha um importante papel na síntese de proteínas e outras actividades químicas do metabolismo, e os cientistas descobriram que o gene mutante produz grandes quantidades de moléculas mensageiras de RNA.

Estas moléculas acumulam-se no esperma dos ratinhos e os cientistas crêem que passam do esperma ao óvulo, onde “silenciam” a actividade do gene kit, incluindo dos ratinhos que não herdam uma cópia do gene mutante, o que gera a mancha branca na cauda.

A equipa da professora Rassoulzadegan estudou o que ocorreria ao injectar-se um preparado de RNA do esperma de um ratinho mutante num óvulo fecundado.

“Quando examinámos os ratinhos nascidos depois dessa injecção, compreendemos com clareza que o RNA poderia ser responsável pela herança do fenótipo da cauda branca”, explicou.

O fenómeno pelo qual aparecem em gerações posteriores as características de um gene, mesmo quando nelas não esteja presente a versão concreta do gene, chama-se “paramutação”.

O fenómeno já foi identificado há 50 anos no milho e mais tarde noutras plantas, e mesmo em animais, mas esta é a primeira vez que um estudo o explica e documenta.

( Lusa )

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