China torna “Big Brother” em realidade

29-06-2022

Com ajuda da AI e da mais avançada tecnologia, a China consegue manter uma vigilância apertada sobre mais de mil milhões de pessoas.

Durante muito tempo, a capacidade tecnológica de monitorizar pessoas era superior à capacidade do que se podia fazer com todos os dados recolhidos. Mas, graças aos computadores e, mais recentemente, aos sistemas de inteligência artificial, isso está a mudar.

Aquilo que há poucos anos pareceria ficção científica já é realidade na China. Com mais de 500 milhões de câmaras de vigilância instaladas, e toda uma rede de dispositivos que recolhem dados sobre o que os utilizadores fazem (que sites visitam, que apps usam, que compras fazem, por onde andam), a China tem agora investido em sistemas que são capazes de compilar toda esta imensa quantidade de informação para a disponibilizar de forma fácil e útil.

O sistema consegue alertar para coisas como, quando uma série de indivíduos com registo criminal se juntam num mesmo local, uma pessoa marcada como activista compra um bilhete para a capital, ou até seguir o percurso de uma pessoa marcada como doente mental assim que se aventura fora da sua casa.

As autoridades chinesas optam por desvalorizar o “incómodo” da total invasão da privacidade, preferindo em demonstrar como estes sistemas são eficazes para descobrir todo o tipo de actividades ilícitas. Há uma longa lista de casos que foram detectados através destes dados; como um alerta de uma pessoa que frequentemente levava pessoas diferentes a determinado local, e que veio a revelar-se ser um esquema de fraudes em pirâmide; ou de um casamento falso com simples propósito de obter um visa, revelado através dos dados de localização que demonstraram que o suposto casal levava as suas vidas de forma completamente independente um do outro. Outras empresas querem ir ainda mais longe, e entrar no campo da previsão de crimes, sinalizando comportamentos suspeitos mesmo no caso de não serem cidadão já sinalizados - algo que nos leva para um futuro ao estilo do Minority Report.

Algumas pessoas até concordam com tudo isto, dizendo que se não há nenhuma pessoa humana a ver os vídeos ou a analisar a informação, não há verdadeira violação de privacidade. Outras recorrem ao velho “quem não tem nada a esconder não tem nada a temer”. Mas, para que olha para a privacidade como um direito fundamental, tudo isto é a concretização dos piores receios; receios esses que já eram antecipados no clássico 1984 de George Orwell, publicado em 1949.
(Ptnik)

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