Apple lança campanha de “medo” contra App Stores alternativas

20-01-2022

Com a perspectiva de perder o controlo sobre o acesso à plataforma iOS, a Apple já faz campanha a “meter medo” dessa possibilidade.

A par de tentar a sorte querendo cobrar comissões mesmo nos serviços de pagamento alternativos que tem sido obrigada a aceitar, a Apple já vai preparando terreno para a guerra que sabe que virá a seguir: da exigência de permitir a instalação de apps sem passarem pela App Store (side-loading, ou app stores alternativas).

A Apple tem enviado cartas ameaçadoras para os legisladores nos EUA, pintando um cenário apocalíptico de como os utilizadores ficarão em risco se a Apple for forçada a permitir a instalação de apps sem ser através da App Store oficial. É o recurso à velha e conhecida táctica “FUD” (Fear, Uncertainty, Doubt) que tem por objectivo fazer com que o medo pese na decisão final; mas que facilmente pode ser desmascarada olhando-se para a própria Apple. O macOS permite a instalação de apps sem ser através da loja da Apple, e não é por isso que o mundo acabou.

Casos como o do spyware Pegasus do NSO Group, que era capaz de infectar iPhones remotamente com uma simples mensagem, além de todas as apps fraudulentas e abusivas que existem na App Store e que foram aprovadas pela Apple, demonstram que não adianta a promessa da Apple de que a App Store é solução ideal. E por fim, importa relembrar que, tal como acontece no Android, ter a opção de poder instalar uma app por outro método que não a App Store oficial, continua a ser apenas isso: uma opção. Uma opção que, mesmo existindo, não significa que atraia os utilizadores (contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que instalei uma app por esse método em Android, em anos de utilização).

Em vez de fazer tanta campanha mediática, que se sabe desde logo que será uma guerra impossível de vencer, a Apple ficaria muito melhor vista se tomasse a posição de abrir os portões do iOS de forma voluntária - antes de o ter que fazer por exigência de legislação ou ordem dos tribunais.

P.S. A Google também vai fazendo campanha, mas com medo de deixar de poder recolher toda a informação que recolhe sobre os utilizadores.
(Ptnik)

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