Kosovo proíbe (temporariamente) mineração de cibermoedas para lidar com crise energética

19-01-2022

Do Facebook ao Telegram, são várias as plataformas que estão a ser inundadas por utilizadores a tentar vender equipamento informático adquirido para mineração de cibermoeda. Os anúncios são de kosovares a reagir em pânico às medidas anunciadas pelo governo do país que proíbe agora a mineração, como parte de um pacote de medidas para aliviar a crise energética que se faz sentir ali.

“Há muito pânico e eles estão a tentar vender o material ou movê-lo para os países na vizinhança”, conta ao The Guardian cryptoKapo, um investidor em cibermoedas e administrador de várias comunidades online deste setor.

O Kosovo, um dos países mais pobres da Europa, tem um dos preços mais baixos no que toca a energia, proveniente da produção doméstica de carvão e com o governo a subsidiar algumas despesas relacionadas. Assim, é fácil perceber que a população tenha cedido à tentação de conseguir minerar cibermoeda para depois a vender e obter assim grandes ganhos financeiros. O interesse pode ser medido pelos milhares de novas adesões a grupos dedicados ao tema no Facebook e no Telegram, embora não seja claro para já quantos é que estão efetivamente a minerar ou em que escala o fazem.

Globalmente, a mineração de criptomoeda consome 125,96 terawatt/hora, acima do consumo total registado por países como Noruega (122,2), Argentina (121), Holanda (108.8) ou Emiratos Árabes Unidos (113,2). No Kosovo, uma combinação de fatores internos e externos levou a que os cidadãos locais passassem por muitas dificuldades no fornecimento, incluindo apagões de longa duração, nos últimos dias do ano de 2021. Uma das duas fábricas do país esteve mesmo encerrada, obrigando o Kosovo a importar o fornecimento, pagando os preços do mercado internacional, que, entretanto, subiram bastante e obrigando o governo a subsidiar este consumo.

O ministro da economia, Artane Rizvanolli, afirma que o bloqueio à mineração foi uma decisão lógica: “alocamos mais de 20 milhões de euros para subsidiar a energia, que provavelmente não serão suficientes e isto é dinheiro dos contribuintes a ir diretamente para apoiar o consumo. Por outro lado, temos a mineração de criptomoeda, que é uma atividade de consumo intensivo e não está regulada”.

A polícia e as autoridades alfandegárias do Kosovo estão a realizar buscas domésticas regulares e a fazer apreensões de centenas de equipamentos nas casas dos cidadãos. O estado de emergência energética está decretado para 60 dias, sem qualquer perspetiva de ser ou não renovado e a atividade de mineração voltar a ser permitida.
(Exameinformatica)

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