Idosos cada vez mais monitorizados remotamente

23-11-2021

Os smart devices estão a entrar na casa das pessoas, mas também a ser usados para monitorizar as pessoas mais idosas e servirem de desculpa para evitar visitas físicas.

Dificilmente há casos genéricos para as famílias. Cada família é um caso individual, com uma teia complexa de relacionamentos que, só quem está nela, é que sabe tudo o que implica. No entanto, há coisas que começam a ser comuns: são cada vez mais as famílias que recorrem à ajuda tecnológica para assistirem os membros mais idosos que ainda vivem sozinhos - mas com isso chegam também algumas preocupações.

Ninguém põe em causa a utilidade de um smartwatch ou smartphone que seja capaz de detectar quedas ou outros problemas e pedir ajudar automaticamente; nem de um assistente digital que facilite a gestão de tarefas, relembrando para tomar remédios ou permitindo contactar pessoas com um simples comando de voz. O problema é quando essa tecnologia começa a ser abusada.

Uma câmara na porta, ou no interior de casa, pode ser excelente para confirmar se um idoso chegou a casa e está bem, mas pode também ser usada para controlar aquilo que faz. Até um smartwatch ou smart bracelet pode denunciar a que horas se foi para a cama e sujeitá-lo a potenciais “retaliações”. Há também idosos que referem que, com estas tecnologias, até familiares que moram perto e habitualmente os iam visitar com frequência, passam a fazer apenas umas sessões de videochamada, retirando muito do contacto social presencial que continua a ser importante - e ainda mais no caso de pessoas que podem passar grande parte do tempo sozinhas.

Pelo outro lado, quase nenhum destes “smart devices” tem inteligência que chegue para superar uma vida que acumulou décadas de experiência. Muitas destas pessoas já se sentem à vontade para mexer nestes aparelhos electrónicos; mas mesmo os que não o saibam fazer, podem recorrer a coisas tão simples quanto cobrir uma câmara com qualquer objecto para impedir que alguém os espreite - ou a sempre eficiente táctica de “desligar da tomada eléctrica”, que facilmente pode ser justificada / desculpada com um simples “ah, precisava de ligar o carregador do telemóvel”.

Uma coisa é certa, ninguém vai escapar de potencialmente se ver em situação idêntica. E com o envelhecimento global da população, este é um sector para o qual se irão ver cada vez mais produtos e serviços.
(Ptnik)

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