Risco de censura. Smartphones da Xiaomi sob investigação na Alemanha

13-10-2021

O regulador alemão para as telecomunicações vai avaliar a segurança dos telemóveis da Xiaomi. Suspeita surge após a publicação de um relatório do governo da Lituânia que alerta para falhas graves na privacidade dos utilizadores.

Um porta-voz da Agência para a Segurança da Informação alemã anunciou que o regulador vai investigar a cibersegurança dos smartphones de várias marcas chinesas. Aquela que está sob maior suspeita é a Xiaomi.

A decisão surge após a publicação de um relatório pelo Ministério da Defesa da Lituânia que revela ter sido detetada uma lista com mais de mil palavras e expressões que podem ser alvo da censura de Pequim.

De acordo com as autoridades de Vílnius, essa lista foi encontrada apenas num modelo de telefones da Xiaomi e está “adormecida”, mas pode ser “ativada remotamente”. Em consequência, o governo lituano está a recomendar aos cidadãos do seu país para não comprarem telefones da Xiaomi e deixarem de usar aqueles que já tenham sido adquiridos.

A lista que está a gerar preocupações em vários governos europeus inclui palavras em chinês, mas também expressões noutros idiomas, por exemplo o inglês e o espanhol.

De acordo com a investigação, entre os cerca de 1500 termos que foram detetados há expressões como “Tibete livre”, “Dalai Lama” e “Viva Taiwan independente”. Mas também termos relacionados com sexo e vários nomes, entre eles, o do artista plástico e dissidente chinês “Ai Weiwei”.

Apesar de sublinharem que a lista está “desativada” na Europa, o medo das autoridades lituanas é que a lista possa vir a ser usada em países da União Europeia para efeitos de espionagem, chantagem ou mesmo censura.

O ministério da Defesa Lituano traça um cenário em que os utilizadores destes telefones poderão ver-se impedidos de fazerem publicações, ou enviarem mensagens, quando no texto aparecer algum dos termos proibidos.

A Xiaomi já reagiu ao relatório e em momento nenhum afirma que a lista não existe.

Apenas se limita a garantir que “não censura comunicações de ou para os seus utilizadores”, que “não limita ou bloqueia qualquer comportamento dos utilizadores dos seus telefones, sejam eles em buscas, chamadas, navegações na net, ou mesmo na utilização de apps de terceiros”. É em comunicado que refere ainda que “respeita e protege todos os direitos legais dos seus utilizadores”.

O caso assume contornos ainda mais graves uma vez que, de acordo com várias empresas analistas de mercado, a Xiaomi é a fabricante que mais vende em toda a Europa. O primeiro lugar dos mais vendidos terá sido alcançado no trimestre passado.

O equipamento onde a lista foi encontrada foi o Xiaomi Mi 10T 5G, um telemóvel lançado em 2020.
(TSF)

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