O Google está numa batalha judicial com a UE – e a sua defesa é ser o termo mais pesquisado no Bing

8-10-2021

Em causa está um processo relativo à multa recorde que a UE impôs ao Google por violar a lei da concorrência ao ter o seu navegador como defeito nos dispositivos Android. A empresa argumenta que mesmo sem essa vantagem, os utilizadores preferem usar o Google.

Parece um insulto digno de uma batalha de rap, mas foi um dos argumentos usados pelo Google no processo aberto por reguladores da União Europeia.

A empresa tecnológica está a ser acusada de violar as leis de mercado por promover injustamente os seus próprios motores de busca e navegadores nos telemóveis Android, ao pagar para ser a única aplicação de pesquisa já pré-instalada nos telemóveis, estando perto de ser um monopólio.

A então Comissária Europeia para a Competição, Margrethe Vestager, avançou com uma multa de 5 mil milhões de dólares, dizendo que o Google está propositadamente a tentar eliminar potenciais rivais e que apenas 1% dos utilizadores instalaram um motor de busca diferente, mas o Google está a argumentar que domina o mercado mesmo sem essa vantagem – e decidiu chamar ao barulho o motor de busca Bing, o seu rival mais próximo.

“Submetemos provas que mostram que o termo de pesquisa mais comum no Bing é de longe “Google””, afirmou o advogado da gigante tecnológica, Alfonso Lamadrid, no Tribunal Geral da União Europeia, no Luxemburgo.

Com este argumento, a empresa pretende reverter a multa histórica que foi imposta em 2018. “As pessoas usam o Google porque assim o escolhem, não porque são obrigadas. A quota de mercado do Google nas pesquisas gerais é consistente com inquéritos de consumidores que mostram que 95% dos utilizadores preferem o Google aos motores de pesquisa rivais”, justificou Lamadrid, citado pela Bloomberg.

A nível global, o site estatístico Statcounter aponta a quota de mercado do Google nos 92%, enquanto que o Bing está em segundo lugar, com apenas 2,48%. O Bing, da Microsoft, é também o motor de busca por defeito nos produtos da marca, como o Windows, e o Google argumenta que mesmo com essa vantagem, a grande maioria das pesquisas no seu rival é o simples termo “Google”.

No entanto, o argumento do Google de que ser o motor por defeito não importa contraria as próprias operações da empresa. Para além de pagar para ser o navegador predilecto nos Android, o Google paga também cerca de 15 mil milhões de dólares anuais para ser a escolha nos produtos da Apple e 400 milhões por ano à Mozilla para ser o pesquisador por defeito no Firefox, rival do Chrome.

Este processo não é o primeiro deste género, tendo a Autoridade de Concorrência e Mercados no Reino já aberto um processo contra o Google e a Apple para avaliar se a concentração da grande maioria do mercado de smartphones nestas duas gigantes tecnológicas está a prejudicar os consumidores.

Em causa está a dúvida sobre se as empresas estão a infringir nas regras da livre concorrência ao oferecerem serviços fechados para música, streaming de vídeos, televisão ou compras.

Já houve também reclamações na Rússia sobre o Google ser apresentado como o navegador por defeito. A empresa passou a oferecer aos utilizadores de Android uma escolha entre o seu motor de busca, o Yandex e o Mali.ru para motor padrão na primeira vez que usavam o Chrome.

Num único ano após esta decisão, o Yandex cresceu de 34% para 46% nas pesquisas móveis na Rússia, segundo o Statcounter.
(ZAP)

Desenvolvido por: Suporte Informatica