Comissão Europeia planeia lei para produção de semicondutores

21-09-2021

No seu discurso, Ursula von der Leyen declarou o desejo de potenciar produção de chips na Europa para um ambiente digital autossuficiente e competitivo, que passará pela criação de uma Lei Europeia de Chips

A escassez de semicondutores é, há algum tempo, um tema de discussão entre os fabricantes, vendedores e marcas de equipamentos tecnológicos. Embora o cerne do problema possa não estar na pandemia, certamente que o período disruptivo, que paralisou vários setores da sociedade e estimulou a transição digital, potenciou significativamente a impossibilidade de suprir a procura.

Com a escassez global de chips a não dar sinais de abrandamento, a Comissão Europeia anunciou um plano para reforçar a sua autossuficiência no setor dos semicondutores, criando um ecossistema europeu de chips de última geração, que inclui a produção das componentes. O plano foi anunciado pela Presidente da CE, Ursula von der Leyen – “o digital é uma questão de make-or-break” e “os estados-membros partilham dessa opinião” –, disse no seu discurso de quarta-feira, citado pela Silicon UK.

O anuncio do plano da CE não foi inesperado, mas firmou o princípio de manter a União Europeia independente, resiliente e competitiva. “Isso reflete a importância de investir na nossa soberania tecnológica europeia”, afirmou von der Leyen, pelo que “temos de moldar a nossa transformação digital de acordo com as nossas próprias regras e valores”, acrescentou.

“Permitam-me focar nos semicondutores, aqueles chips minúsculos que fazem tudo funcionar: desde smartphones e scooters elétricas a comboios ou inteiras fábricas inteligentes”, afirma, completando que “não há digital sem chips, e enquanto falamos, linhas de produção inteiras já estão a trabalhar a uma velocidade reduzida – apesar da procura crescente – devido à escassez de semicondutores”.

A presidente da CE explica que “enquanto a procura global explodiu, a quota da Europa em toda a cadeia de fornecimento, desde o design até à capacidade de produção, diminuiu”, pelo que “dependemos de chips de última geração fabricados na Ásia”. Foi também com o objetivo de aumentar a capacidade de competir com a tecnologia chinesa que os EUA anunciaram em 2020 o CHIPS for America Act. “Portanto, esta não é apenas uma questão da nossa competitividade, é também uma questão de soberania tecnológica. Então vamos colocar todo o nosso foco nisto”, conclui von der Leyen.

“Vamos apresentar uma nova European Chips Act”, disse, acrescentando que “precisamos de ligar as nossas capacidades de investigação, de design e de teste de classe mundial. Precisamos de coordenar o investimento nacional e da UE ao longo da cadeia de valor”.

Ursula von der Leyen não escondeu a elevada responsabilidade e desafios que a proposta levanta – “sim, esta é uma tarefa assustadora e sei que alguns afirmam que não pode ser feito, mas diziam o mesmo sobre o Galileo há 20 anos” e “hoje, os satélites europeus fornecem sistema de navegação para mais de dois mil milhões de smartphones em todo o mundo. Somos líderes mundiais. Então vamos ser novamente ousados, desta vez com semicondutores”, conclui.
(ITC)

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