“Aquém e Além Cérebro” transforma Porto em “capital mundial da memória”

29-03-2006

O Porto torna-se a partir de hoje e durante quatro dias a “capital mundial da memória”, com especialistas de vários países a debaterem como funciona a mente de crianças maltratadas ou de pessoas que relatam experiências paranormais.


Os cerca de 20 investigadores de renome mundial deslocam-se ao Porto a convite da Fundação Bial, que promove de dois em dois anos o simpósio “Aquém e Além Cérebro”.

Um dos peritos é o investigador norte-americano Mitchell Eisen, consultor do Ministério Público da Califórnia, que vai explicar como funciona a memória de crianças alvo de abuso ou maltratadas.

Com os testemunhos das crianças da Casa Pia na ordem do dia há já vários meses, este professor universitário vem a Portugal falar da sua experiência junto de crianças abusadas que testemunharam nos tribunais norte-americanos.

A edição deste ano do simpósio, que comemora a sua primeira década de existência, dedica-se exclusivamente ao tema da memória e divide-se em três grandes sessões: “Neurociência da memória”, “Memória e experiências excepcionais” e “Memória e a parapsicologia”.

Os especialistas vão procurar, no “Aquém e Além Cérebro”, esclarecer questões sobre “como se consolida a memória”, “qual a aplicação clínica dos avanços da parapsicologia científica”, “a relação entre memória e intuição” e “onde é que a memória é armazenada e como é evocada”.

Patrick Chauvel, da Sociedade de Neurofisiologia Clínica de Língua Francesa, vai apresentar no encontro as descobertas mais recentes sobre o fenómeno “dejà-vu” e as suas bases neurofisiológicas.

Lia Kvavilashvili, da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra, consultora de várias revistas científicas na área da memória e psicologia cognitiva de idosos, vai abordar a veracidade das memórias “relâmpago” em torno da morte da princesa Diana e dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Caroline Watt, investigadora de parapsicologia da Universidade de Edimburgo, Escócia, vai coordenar um debate onde serão apresentados estudos que indicam que a convicção no paranormal e a tendência para relatar experiências nesta área estão relacionadas com variáveis psicológicas como a dissociatividade, predisposição para fantasias, susceptibilidade hipnótica e traumas de infância.

Richard S. Broughton, da Universidade de Northampton, Reino Unido, vai falar sobre o papel da memória e da emoção em experiências anómalas e a forma como o sistema emocional influencia as imagens da memória e as alucinações durante a vigília, frequentemente interpretadas como originadas por um sexto sentido, e vai procurar avaliar o papel da memória na capacidade de intuição e pré-cognição.

Paralelamente, como nas edições anteriores, os bolseiros Bial irão apresentar os trabalhos por si elaborados nos dois últimos anos.

Além do simpósio, a empresa farmacêutica patrocina bienalmente bolsas de investigação científica nas áreas da psicofisiologia e da parapsicologia, tendo já apoiado 205 projectos englobando 648 investigadores de 21 países.

Fundada pelos Laboratórios Bial e pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, a Fundação Bial atribui ainda o Grande Prémio de Medicina, no valor de 150 mil euros, e o Prémio de Medicina Clínica, de 50 mil euros.

A comissão organizadora do “Aquém e Além Cérebro” reúne nomes como Alexandre Castro-Caldas, Nuno Grande, Fernando Lopes da Silva (radicado em Amesterdão), Rui Mota Cardoso e Caroline Watt, de Edimburgo.

( Lusa )

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