Primeiro astronauta brasileiro parte quinta-feira para estação orbital

28-03-2006

O primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, parte quinta-feira numa nave russa para uma missão espacial de dez dias, acompanhado pela próxima tripulação da estação orbital ISS, anunciou hoje fonte oficial russa.


O coronel da força aérea brasileira Marcos Pontes, o russo Pavel Vinogradov e o norte-americano Jeffrey Williams vão descolar do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 02:30 TMG (03:30 em Lisboa), segundo um porta-voz da agência espacial russa Roscosmos.

Acoplada a um foguetão Soyuz-FG, de 50 metros de comprimento e 300 toneladas de peso, a nave Soyuz TMA-FG ficou hoje instalada na rampa de lançamento, pronta para partir para o espaço.

A missão fundamental da nave será transportar Vinogradov e Williams até à Estação Espacial Internacional (ISS), onde substituirão os seus colegas Valeri Tokarev e William McArthur, que lá se encontram desde Outubro passado.

Mas a atenção da missão centra-se no terceiro tripulante, o coronel da força aérea brasileira Marcos Pontes, de 42 anos, que se converterá no primeiro astronauta da história do Brasil.

Durante a sua permanência no cosmos, Pontes levará a cabo a missão “Centenário”, que inclui um programa de nove experiências científicas, médicas e biológicas, nomeadamente no domínio das nanotecnologias, e ainda observações do território brasileiro com instrumentos instalados no engenho espacial.

“O voo do primeiro avião no Brasil aconteceu em 1906. Agora, passado um século, ocorrerá o primeiro voo de um brasileiro ao cosmos”, explicou recentemente Pontes aos jornalistas.

Vinogradov e Williams ficarão na ISS pelo menos meio ano, mas Marcos Pontes regressará à Terra oito dias depois, a 09 de Abril, na companhia de Tokarev e McArthur, que já estão a fazer as malas para o regresso.

Os cosmonautas Vinogradov e Williams congratularam-se por participar num voo histórico para o Brasil e, tal como Pontes, sublinharam o facto de integrarem a expedição “13″ ou “dúzia do diabo”, expressão em russo usada pelos supersticiosos.

“Na verdade, eu sou a tripulação ‘doze e meio’, porque partirei com a ‘ISS-13′ e regressarei com a ‘ISS-12′, ironizou, a propósito, Marcos Pontes.

Antes da sua chegada a Baikonur, o oficial brasileiro admitiu ter passado por “certas dificuldades” com a língua e clima rigoroso da Rússia.

A preparação do brasileiro para esta missão, iniciada em Outubro na Cidade das Estrelas, perto de Moscovo, ficou marcada por um “treino de sobrevivência” numa floresta russa com temperaturas de menos 30 graus centígrados.

Porém afirmou que a experiência lhe permitiu “adaptar-se” e “sentir-se à vontade” em qualquer temperatura.

Antes, submeteu-se desde 1998 a um treino no Centro Espacial Johnson, em Houston (Texas).

( Lusa )

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