Não se distraia com a ficção científica. Os problemas da IA são culpa dos humanos

5-11-2019

Cassie Kozyrkov, chief decision scientist da Google, protagonizou uma talk sobre o perigo da IA, mas da perspetiva do erro humano.

Dora é um computador que casou com o seu engenheiro. Eis uma forma “adorável” de mostrar que os robots existem há muito tempo, e como a história da humanidade está repleta de casos de automatização. A automatização não passa de uma ferramenta, não muito diferente desde que o primeiro Homem pegou numa pedra e esmagou-a noutra, para criar ferramentas para o ajudar. É apenas mais evoluída. “Qualquer ferramenta é melhor a fazer uma tarefa do que sem a mesma para a fazer. E a IA é uma ferramenta”, são alguns pensamentos lançados por Cassie Kozyrkov, chief decision scientist da Google, na sua keynote no Web Summit.

Perante este mote, Cassie refere como a IA não existe para substituir as pessoas, mas para as ajudar nas suas tarefas. Antigamente o homem criava uma linguagem para que os computadores pudessem entender. Com a IA isso não é preciso “nós expressamos aquilo que queremos, não com expressões, mas com exemplos, e isso torna a receita da comunicação numa revolução da comunicação”, destaca. E a nova forma de comunicar com os computadores é ensinando-os. “Quando jogo um videojogo e não percebo nada, vem alguém que me explica como disparar, esperar pelo movimento de um boss e atacar com tudo, e isto não passa de alguém a programar-me para jogar melhor”. É esse pensamento atribuído a machine learning e IA, ferramentas que são tão poderosas que nem mesmo os humanos conseguem por vezes entender.

É por isso é que é necessário automatizar essas instruções, os dados, para alimentar as máquinas. E não é ficção científica, pois esta é distrativa, pois está sempre a aborrecer-nos para os problemas inerentes, muitos deles inafundáveis, pois como sugere, são ficção.

Mas há um perigo, refere a cientista, pois a tecnologia não passa de um eco dos desejos de quem quer que a tenha construído. “Nada é autónomo, pois no fundo há sempre alguém por trás, e é com as pessoas que devemos estar preocupados, não com as máquinas”. É preciso ser mais responsável, e quanto mais escala a tecnologia, mais responsabilidade é necessária. Não é suposto a IA romper relações ou mesmo substituir os trabalhadores.

Mas imagine-se que é necessário fazer algo, 10 mil linhas criadas por humanos. Mas é possível fazer o mesmo, de forma otimizada, com apenas duas linhas de código. São estas ferramentas de IA que conseguem obter essa otimização. Se não for colocada preocupação nessas duas linhas, o perigo e a falta de responsabilidade é a mesma que nas 10 mil linhas. “Deseje responsabilidade”, deveria ser o primeiro dos três desejos que qualquer pessoa deveria fazer à lâmpada do Aladino, compara Cassie Kozyrkov com o famoso conto infantil.

Segundo a cientista, os sistemas de machine learning transformam padrões em receitas. São as pessoas que ensinam as máquinas, e alerta para que nunca se esqueçam dos princípios básicos do ensino. Primeiro a otimização de tarefas, e tornar a subjetividade em objetividade. Utilizar a base de dados como se fosse um livro escolar, e mais uma vez, esta é escrita por humanos, como se as máquinas fossem alunos. A cientista aconselha a que os diversos envolvidos leiam as bases de dados à procura de problemas e formas de resolver e otimizar os mesmos. “Se um aluno ler várias vezes o documento, acaba por o decorar e aprender, pois fiquem a saber que as máquinas têm uma excelente memória”.

A cientista afirma que existem erros humanos, e claro, as máquinas não são perfeitas, mais uma vez, porque têm pessoas por trás. Nesse sentido, há que haver uma preocupação em criar sistemas de segurança.

No final, as máquinas têm sempre o lado humano por trás. Os objetivos são feitos por humanos, assim como as bases de dados, assim como os testes. “Sejam responsáveis, porque as máquinas aprendem essa responsabilidade com os humanos”. E remata a sua oração com o pedido de que é tempo de nos focarmos na aprendizagem das máquinas e não deixar que a ficção científica nos distraia.

(Teksapo)

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