Um milhão de processadores. Cientistas criam o “cérebro” mais potente do mundo

8-11-2018

Cientistas acabaram de ativar o maior e mais rápido “cérebro” do mundo: um supercomputador com um milhão de núcleos de processamentos e 1.200 placas de circuitos interconectadas que operam em conjunto, simulando o funcionamento de um cérebro humano.

O supercomputador, construído por uma equipa de engenheiros da Universidade de Manchester, no Reino Unido, levou mais de dez anos até ser concluído e é agora o maior computador neuromórfico do mundo, revelou a instituição na passada sexta-feira.

Apelidado de Spiking Neural Network Architecture, or SpiNNaker, o computador que agora mora na universidade britânica tem a capacidade de realizar 200 biliões de operações lógicas por segundo graças aos seus circuitos interligados e distribuídos entre as mais de mil placas de circuito.

O SpiNNaker “repensa a forma como os computadores convencionais funcionam”, explicou Steve Furber, membro da equipa de investigação e professor de Engenharia na Universidade de Manchester, através de um comunicado.

Na verdade, este supercomputador não só apenas pensa como um cérebro como é também capaz de criar modelos de neurónios de cérebros humanos, simulando ainda mais neurónio em tempo real do que qualquer outro computador já criado em Terra.

“A sua principal tarefa passa por apoiar modelos cerebrais parciais: por exemplo, modelos de córtex, de gânglios da base ou múltiplas regiões tipicamente conhecidas como redes de ativação ou disparo de neurónios”, lê-se ainda na nota.

SpiNNaker vs computadores convencionais

Ao contrário dos computadores convencionais, que comunicam enviando grandes quantidades de informação de um ponto A para um ponto B através de uma rede padrão, o SpiNNaker emula a arquitetura de comunicação cerebral baseada na emissão maciça de picos de sinais eletroquímicos paralelos.

Desta forma, este sistema neuromórfico utiliza os seus circuitos eletrónicos de larga escala para enviar milhares de milhões de pequenos fragmentos de informação de forma simultânea e para para milhares de diferentes “recetores”, de forma bastante semelhante ao funcionamento do cérebro.

Segundo os responsáveis pelo projeto, que levou 20 anos de desenvolvimento teórico e 12 para construção, pretendem, no futuro, expandir a capacidade do sistema, conseguindo ativar um sistema de funcionamento de mil milhões de neurónios em tempo real.

E indicam ainda, a título de comparação, que o cérebro de um rato tem 100 milhões de neurónios, enquanto que nos humanos esse número é mil vezes maior.

O supercomputador já foi testados com sucesso para simular o processamento da informação dos sentidos num segmento do córtex cerebral, permitindo, em particular, que um robô fosse capaz de interpretar informações visuais em tempo real. O robô foi capaz de se mover em direção a determinados objetos, ignorando e contornando outros – de for semelhante aos seres humanos.

De igual forma, os especialistas conseguiram imitar o funcionamento dos gânglios da base – região do cérebro afetada pela doença de Parkinson -, para que esta simulação possa ajudar futuramente no desenvolvimento de tratamentos contra esta patologia.

“Essencialmente, criamos uma máquina que trabalha de uma forma mais parecida como o cérebro” do que um computador comum, “o que é fantástico!”,concluiu Furber.
(ZAP)

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